Ok, não é bem uma novidade para quem assiste à novela Viver a Vida, mas não dá pra deixar passar essa, né? Mesmo antes da novela começar, a mídia já anunciava bastante o acidente que aconteceria com a personagem Luciana (Alline Moraes) e que a deixaria paraplégica. Aí, já dava pra ver que o processo de adaptação da personagem à sua nova condição seria bem enfocado na novela, até pela carga dramática que uma situação assim carrega, na vida real ou fora dela. Para o público em geral é um bom momento para conhecer as dificuldades cotidianas e também a capacidade de recuperação e de exploração de potenciais apresentadas por quem vive uma situação dessas. Afinal, até bem pouco tempo a expressão corrente para designar alguém que fica paraplégico ou tetraplégico era “entrevado” (terrível, não? me lembro da minha falecida avó falando isso!). E o termo reflete bem o que se esperava de uma pessoa nessa condição: que ela não teria mais vida, nem oportunidades, restando apenas ficar deitada na cama esperando o tempo passar. Claro que não dá pra tentar florear a situação, como pessoas no extremo oposto fazem: as dificuldades vivenciadas por essas pessoas são concretas e presentes em vários momentos do cotidiano. Imagine, por exemplo, que você não pode mais simplesmente levantar da cama no meio da noite pra ir ao banheiro – e isso se você ainda conseguir controlar essa vontade! E por aí vai: ir de um lugar a outro, alcançar objetos, subir uma escada, jogar futebol e uma infinidade de atividades do dia-a-dia tornam-se muito mais difíceis e até impossíveis. E é justamente nesse aspecto que o Terapeuta Ocupacional intervém. Ele avalia as dificuldades e necessidades do paciente e propõe os recursos (como atividades e adaptações) que o auxiliarão a participar de forma ativa no seu cotidiano. Na novela, a Terapeuta Ocupacional Graziela, ao ser apresentada à Luciana, já disse a ela que iria tomar suas medidas para a confecção de sua cadeira de rodas – aliás, aposto que a maioria dos espectadores nem imagina que um TO faz isso.
Tomara, portanto, que essa personagem TO apareça mais pois, mesmo em poucas cenas, é muito bacana perceber essa visibilidade. Afinal, essa é uma forma de as pessoas conhecerem mais nosso trabalho e perceberem (de uma vez por todas, espero!!) que TO não se trata de ocupar o tempo ocioso das pessoas com artesanato e que o papel da TO na recuperação e no tratamento de pessoas que sofreram trauma medular é de valor fundamental.
Pra quem ainda não assistiu, veja a cena com a TO aqui.
Ah, e claro, vale entrar em contato com a Globo pelo Fale Conosco ou com o diretor através do Fale com o Diretor para fazer comentários, elogios e solicitações.
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