13 ossos, 19 músculos intrínsecos, tendões flexores e extensores de músculos extrínsecos, fibras nervosas, fáscias, ramos de artérias e veias e uma capacidade surpreendente: expressar nossos desejos, transformar nosso mundo e proporcionar sensações. Através delas, somos capazes de criar, de cuidar, de fazer e de conhecer. Com elas, tocamos e somos tocados, sentimos e somos sentidos. As mãos constituem, de fato, instrumentos maravilhosos para o homem. Muitas vezes, elas são capazes de comunicar até o que os lábios não dizem, ou de perceber o que os olhos não vêem. Por seu intermédio, o homem conseguiu se desenvolver, concretizar seus sonhos e manifestar ideais. São instrumentos refinados e habilidosos – tocam música, realizam operações delicadas e projetam sentimentos e beleza através do papel –, mas também são fortes e intensas quando é necessário segurar firme, bater um martelo com força ou nos proteger. Assim, dispomos em nosso corpo – tão cheio de mecanismos úteis e apurados! – de um maravilhoso meio de expressão e ação. E, como não podia deixar de ser, como Terapeutas Ocupacionais devemos um tributo de reconhecimento a esses instrumentos que nos permitem conhecer e transformar o mundo e precisamos saber intervir quando algo os impede de funcionar devidamente.
Em virtude de sua constituição, funcionamento e posição, as mãos estão sujeitas a sofrer traumatismos que, mesmo quando pequenos em extensão, podem acarretar grandes alterações em sua função motora e sensitiva. Fraturas, queimaduras, acidentes com materiais perfurocortantes e lesões por esforços repetitivos podem prejudicar a mobilidade e a sensação, o que leva a dificuldades na realização de atividades comuns do dia-a-dia como pentear o cabelo, comer e se vestir.
Em se tratando de uma parte do corpo cujas alterações ocasionam grande impacto na funcionalidade humana, a avaliação do Terapeuta Ocupacional deve abranger os aspectos físicos (como força, amplitude de movimento, sensibilidade e alterações em tecidos moles, como edema), de desempenho (verificação das atividades comprometidas e alterações na coordenação, destreza, pinça, preensão e manipulação de objetos) e a repercussão emocional dessas alterações para o cliente.
Conforme a natureza da lesão ou do distúrbio e sua provável evolução, o Terapeuta Ocupacional pode intervir para evitar seu agravamento e manter ou recuperar a função. Quando a função está muito comprometida e não há prognóstico favorável à recuperação, o Terapeuta Ocupacional pode indicar órteses ou próteses, adaptações e dispositivos de auxílio (temporários ou permanentes).
O Terapeuta Ocupacional pode atuar na recuperação de fraturas utilizando-se de técnicas de mobilização articular cuidadosa para evitar danos à mobilidade devido à aderência tecidual e técnicas de redução do edema (inchaço) na região. Em caso de lesões nervosas, em que pode haver comprometimento sério da função motora e sensitiva, a atuação da Terapia Ocupacional é valiosa no sentido de proporcionar orientações quanto à segurança na realização de tarefas diárias, propiciar posicionamento adequado através de órteses durante a fase de imobilização e intervir assim que possível na realização de exercícios e atividades de mobilização e reeducação sensorial. Pacientes que sofreram lesões ou cirurgias em tendões também podem contar com o tratamento de Terapia Ocupacional para que a região seja posicionada e mobilizada na fase e do modo mais adequado, de maneira a facilitar a cicatrização e evitar a aderência tendinosa.
Estes são apenas alguns exemplos, dispostos de maneira superficial, da atuação da Terapia Ocupacional no tratamento de traumatismos e doenças que podem prejudicar a função manual e, consequentemente, a independência e a qualidade de vida dos indivíduos acometidos. A partir destes exemplos, para intervir de forma adequada, compreende-se que o Terapeuta Ocupacional, especialmente o que atua nessa área, precisa conhecer a anatomia e o funcionamento da mão, bem como do membro superior e de todo o corpo (afinal, a mão não funciona sozinha!); é necessário também conhecer a fisiopatologia de acometimentos sistêmicos ou locais que interfiram na função manual e compreender as fases de cicatrização e recuperação de uma lesão. Além de tudo isso, o Terapeuta Ocupacional precisa estar atualizado sobre as técnicas e os protocolos de tratamento mais indicados para cada caso e saber avaliar e intervir sobre os aspectos do indivíduo e do ambiente que interferem na função.
Como podem perceber, trata-se uma área nobre de intervenção da Terapia Ocupacional (na verdade, todas são, rs), ao demandar conhecimentos ao mesmo tempo especializados e abrangentes; também, não poderia ser de outra forma: um instrumento tão refinado como as nossas mãos e capaz de tantas realizações precisa da atenção cuidadosa e da compreensão de um profissional como o Terapeuta Ocupacional, habilitado a compreender desde os aspectos mais concretos – mas não menos complexos e delicados de sua função – até aqueles mais sutis e significativos, que envolvem o próprio sentido de estar no mundo, conhecê-lo e agir sobre ele.

Nossas mãos atuam sobre o mundo e imprimem sentido a ele
(Imagens 1, 2 e 6: Leonardo Da Vinci; 1 e 2: estudos de mãos; 6: recorte da Mona Lisa; imagem 3: Albrecht Dürer – Mãos em Oração; imagem 4: créditos de Mark Österberg; imagens 5 e 7: SXC Photos)
Simone, este post é em homenagem a você!
Para escrever este post, eu consultei:
Anatomia Orientada para a Clínica – Keith Moore – 3a edição
Lesões nas Mãos e nos Membros Superiores – Mary C. Kasch e Ed Nickerson – Capítulo 44 do livro Terapia Ocupacional – Capacidades Práticas para as Disfunções Físicas, de Lorraine Williams Pedretti e Mary Beth Early.
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Cris,
Pra la de bonito!
Lembrei do monólogo das mãos no tributo do artista
ao declamar sobre a funcionalidade e sentimentos
que as mãos podem expressar e fazer
Parabens pela construção do blog com tanto carinho
e competencia
A homenagem estendo a todos os terapeutas ocupacionais
Amei!
abraços
Simone
obrigada, Simone, que bom que gostou!
bjos!
Cris,
Muito bem inscrito o seu artigo, o melhor de tudo é que bem fundamentado! Sei o trabalho que dá construir e manter blogs, muito mais quando queremos fazer uma coisa que acrescente nosso meio.
Parabéns pela qualidade do site!
Grande Abraço,
obrigada, Ana!
dá um trabalhinho sim, mas compensa, especialmente quando a gente tem retornos como esse seu.
Abraços,
Cris.