Assaltos, sequestros, tráfico, corrupção, crime organizado, falta de educação, desrespeito às leis e às pessoas, ignorância, poluição, comodismo, violência, exploração, miséria, fome, impunição… É, você e eu sabemos de tudo isso, e como esses (e outros) absurdos fazem parte de nosso cotidiano até ficarmos acostumados com eles. Quando chegamos a este ponto, concluímos: ah, o mundo é assim mesmo, o homem é assim, fazer o que? Hmmm… nesta conclusão mora um problema e uma solução. Antes de falar mais a respeito, um esclarecimento: não quero ficar falando sobre quem são os culpados por todas essas misérias. Ou falar que a solução é simples e chegaremos logo a um ponto em que esses problemas serão parte de um passado muito distante. Não, queridos, pode ser que eles persistam e até piorem. De fato, não podemos prever o futuro e falar o que vai acontecer, podemos apenas trabalhar com hipóteses mais ou menos prováveis. E com as possíveis soluções e alternativas para tais problemas.
Fechando o parênteses, continuo o raciocínio sobre o problema e a solução que moram juntos na frase: fazer o que? Bom, pra começar, esta é a pergunta – e nisto reside parte da solução. Afinal, ao questionar o que podemos fazer, já começamos a trabalhar nas possíveis saídas. Porém, o ponto problemático está em como a pergunta é colocada, pois sabemos que ela é dita frequentemente em tom de pessimismo e desolação, seguindo o raciocínio: ora, mas se está tudo tão ruim, e de forma tão profunda e alastrada, como é que eu posso fazer alguma coisa?
Conforme a resposta a este raciocínio, podemos avançar ou retroagir. Podemos pensar que não dá pra fazer nada, e vamos viver nossa vida (achando que essa indiferença não nos afetará), ou podemos pensar que sim, é possível agir e nossas ações podem resultar em frutos positivos. Mas aí soarei um pouco pessimista para alguns, pois tais frutos podem não ser o que e nem quando desejamos. Sim, uma das chaves para sairmos da inércia compreende um paradoxo: agimos movidos pelo anseio de alcançar determinados resultados, mas não temos controle total sobre eles e precisamos ter a dose certa de desejo e desapego, planejamento e abertura no processo todo.
Aí, chegamos à nossa perguntinha básica (agora, em homenagem ao Léo, rs): o que a TO tem a ver com isso?? Ora, ora… desta vez a resposta é com vocês, e é isso que vai dizer se estão prontos para a solução ou não.
Como assim? Bom, vamos direto ao ponto: qualquer TO que esteja lendo este texto sabe, na pele, o quanto nossa profissão tem potencial para crescer, e o quanto a distância entre o potencial e o real é enorme – quase um abismo, com vários desafios pelo caminho. E então eu lhe pergunto: você quer mesmo fazer alguma coisa? Pois você pode (eu nem digo que deve, pois acho que isso cabe a cada um considerar). Pra começar, já adianto que isolados não fazemos muita coisa – mas isto não significa que ações individuais não tenham efeito. Perceberam a diferença? Ações individuais, de pouco alcance imediato, podem ter repercussões consideráveis quando coordenadas e integradas - como grãozinhos de areia que, juntos, completam quilômetros de praias e são firmes o suficiente para nos sustentar. Quando nos agregamos, então, de forma organizada, somos capazes de fazer uma diferença enorme. É aquela velha história de o todo ser maior do que as partes.
Pois é, cada vez mais acredito que a solução passa inevitavemente pela cooperação e pela união – em suma, pelo agir no sentido da coletividade, mesmo que os resultados não cheguem até nós a curto (ou mesmo médio e longo) prazo. Não, não é questão de ser “bonzinho”. Apenas acredito que a evolução do pensamento nos trouxe de uma ética pautada no individualismo, passou pelo coletivo “homogêneo” e caminha para a coletividade que respeita as diferenças individuais agregadas em torno do bem-estar comum. E este último modelo ainda é uma sementinha, embora sua idéia não seja recente (a regra de ouro está aí para provar isso). E coloquei tudo isso para falar que nossa saída, seja para uma sociedade mais justa, ou uma vida mais tranquila, enfim, para tudo aquilo que sonhamos e consideramos bom e saudável, passa pela união de individualidades fortalecidas em torno de objetivos comuns e proveitosos para a coletividade.
E respondendo à nossa perguntinha básica: claro, nosso desenvolvimento (ou inserção, ou consolidação, o que vocês quiserem) profissional também só será viabilizado dessa forma. É por isto que escrevi este texto, e é por este motivo que espero (acredito!) que cada vez mais pessoas sejam sensibilizadas por esse fato. Saber disso, todo mundo já sabe. Mas até quando vamos esperar que os outros façam por nós aquilo que nos cabe, como cidadãos, profissionais e indivíduos? Até quando vamos deixar que tudo o que age contra nossos sonhos seja justificativa para não nos expormos? Se pensarmos bem, construímos uma rede de desculpas para ficarmos no nosso canto, racionalizando nosso medo de desagradar, nosso comodismo com a situação, nossa inércia e nossa expectativa que a solução venha magicamente de fora. E, por medo de perder, já começamos perdendo, e de uma forma que, convenhamos, não é lá muito digna.
Ah, isto se aplica a tudo, viram? É por isto que os convido a, pelo menos, refletirem sobre o seu papel como agentes de mudança, pessoas providas de condições para questionar, discutir e fazer alguma coisa, não somente em benefício próprio, mas de um todo maior. É claro que não podemos fazer tudo por todo mundo, se nem damos conta dos nossos problemas e questões mais imediatas. Mas, como disse, só podemos esperar alguma coisa melhor – e mesmo ter o direito de reclamar – se tomamos consciência da situação e tentamos fazer alguma coisa que esteja ao nosso alcance, por menor que seja. Só não vale ficar parado.
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